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Nova NR-1 reage à crise: afastar-se por transtornos mentais bate recorde e molda nova gestão empresarial

  • há 10 horas
  • 2 min de leitura
Créditos da imagem: Magnific.
Créditos da imagem: Magnific.

A saúde mental ganhou um papel estratégico nas empresas brasileiras, deixando de ser vista apenas como uma questão de cuidado individual. Com a atualização da NR-1, as organizações agora são obrigadas a identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais — como estresse crônico, sobrecarga, assédio, jornadas excessivas e lideranças inadequadas. Esses fatores devem ser formalmente integrados ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).


A transição coincide com um momento de intensa pressão sob empresas, colaboradores e a Previdência Social. O Brasil atingiu a marca histórica de 472 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024, impulsionados por quadros de ansiedade e depressão — um salto de até 68% comparado ao ano anterior. Essa tendência de alta se agravou em 2025, superando a barreira do meio milhão de licenças médicas. O cenário consolida uma crise profunda que afeta diretamente a produtividade, eleva os custos assistenciais e desafia a sustentabilidade dos negócios através do absenteísmo.


A atualização da norma, introduzida pela Portaria MTE nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, incorporou expressamente os riscos psicossociais ao GRO e ao PGR. Na prática, saúde mental deixa de ser tratada apenas como benefício, campanha pontual ou ação de bem-estar e passa a integrar o núcleo da gestão de riscos trabalhistas e ocupacionais.

Segundo a médica do trabalho Ana Paula Teixeira, especialista em saúde corporativa, fatores psicossociais, trauma e resiliência moral ocupacional, a nova fase exige maturidade das lideranças. “A saúde mental no trabalho não pode mais ser vista como uma agenda acessória. Ela precisa ser compreendida como parte da governança de riscos, da produtividade e da integridade organizacional. Empresas que estruturam esse cuidado protegem pessoas, reputação e continuidade do negócio”, afirma.


No mundo, cerca de 800 milhões de pessoas vivem com transtornos mentais, segundo dados citados no levantamento. O impacto econômico também é expressivo: problemas relacionados à saúde mental geram perdas globais estimadas em US$ 8,9 trilhões por ano em produtividade. No Brasil, o quadro é agravado por altos níveis de estresse: 46% dos trabalhadores brasileiros afirmam se sentir estressados diariamente. Com a nova NR-1, o PGR deverá deixar de ser um documento meramente formal. As empresas precisarão demonstrar tecnicamente quais riscos psicossociais foram identificados, como foram avaliados e quais medidas preventivas ou corretivas serão adotadas. O plano de ação deverá indicar responsáveis, prazos, prioridades e formas de acompanhamento.


Entre as exigências práticas estão a inclusão dos riscos psicossociais no inventário de riscos, a definição de medidas no plano de ação, a participação formal dos trabalhadores, a análise ampliada de acidentes e adoecimentos e a revisão periódica dos riscos, no máximo a cada dois anos - ou sempre que houver mudanças organizacionais, aumento de adoecimentos, acidentes ou evidência de ineficácia das medidas adotadas. Outro ponto relevante é que a abordagem não é clínica, mas organizacional e coletiva. A NR-1 não exige que empresas façam diagnósticos individuais de saúde mental. O foco está nos fatores estruturais do trabalho que podem gerar sofrimento psíquico de forma recorrente, como pressão excessiva por metas, falhas de comunicação, ausência de autonomia, conflitos interpessoais, insegurança, sobrecarga e práticas de gestão inadequadas.


 
 
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