Mais um hospital em Salvador é credenciado para doação de órgãos

A rede de doação de órgãos da Bahia ganha reforço com a recente habilitação da equipe e-DOT (Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes) do Hospital de Brotas, em Salvador. Responsável por conduzir o protocolo em pacientes com diagnóstico de morte encefálica, o novo serviço passa a integrar a estrutura de assistência oferecida aos servidores públicos estaduais vinculados ao Planserv.
Gerido pelo Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), o Hospital de Brotas é a primeira unidade privada dedicada a atender exclusivamente os mais de 500 mil beneficiários do Planserv. O Dr. Leonardo Azevedo, coordenador da UTI e membro da equipe e-DOT, celebrou a nova conquista e ressaltou o impacto social da ação. “Fazer parte da equipe de doação de órgãos e tecidos é uma enorme satisfação. O transplante é um ato genuíno de generosidade, e fortalecer essa prática em nossa cultura hospitalar é essencial para expandi-la por todo o Estado”, destacou.
Em setembro deste ano, a e-DOT foi habilitada após um processo conduzido sob o acompanhamento da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), por intermédio da Coordenação do Sistema Estadual de Transplantes (COSET). A habilitação cumpre as normas do Sistema Nacional de Transplantes e é dividida em duas etapas: a análise documental da instituição hospitalar e o treinamento dos profissionais envolvidos no processo de doação.
A Enfermeira-Coordenadora de Educação Permanente da COSET/SESAB, Carolina Sodré, acompanhou o planejamento para a habilitação do Hospital de Brotas. Ela explica que unidades hospitalares com perfis de assistência de alta complexidade e leitos de terapia intensiva são indicados para a implantação e habilitação de uma equipe e-DOT, mas precisam atender aos critérios estabelecidos.
O que é uma e-DOT? A Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (e-DOT) é um grupo multiprofissional responsável por organizar e acompanhar as etapas do processo de doação dentro de uma unidade hospitalar. Sua atuação começa na identificação de potenciais doadores e inclui a articulação com as centrais de transplantes, o acompanhamento do diagnóstico de morte encefálica e o acolhimento e orientação dos familiares.
No Hospital de Brotas, a equipe é formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, profissionais que atuam de maneira integrada para garantir segurança, acolhimento e respeito às famílias durante todo o processo. A enfermeira Gilca Cirne, integrante da e-DOT do HB, ressalta a importância da enfermagem nessa atuação. “O enfermeiro pode participar de todas as etapas do processo de doação de órgãos e tecidos. Entre suas atribuições estão a identificação de potenciais doadores, a realização das notificações aos órgãos responsáveis pela regulação de transplantes, o acompanhamento do processo de diagnóstico de morte encefálica e o acolhimento à família”, explica ela.
A profissional também destaca que a humanização é indispensável, especialmente no momento de abordar os familiares. “O apoio emocional precisa respeitar o sofrimento do momento, as crenças, os valores e o tempo de cada família”, afirma. Além do acolhimento, cabe à equipe fornecer informações claras sobre as etapas da doação, facilitar a comunicação entre os profissionais envolvidos e colaborar na entrevista familiar para solicitar a autorização da doação, sempre respeitando a autonomia e a decisão dos familiares. A enfermagem também participa, junto à equipe assistencial, dos cuidados necessários à manutenção clínica do potencial doador, contribuindo para a preservação dos órgãos e tecidos.


