top of page

Excesso de analgésicos pode aumentar as crises de enxaqueca

há 9 horas
3 min de leitura
Foto: Magnific.
Foto: Magnific.

A enxaqueca, também chamada de migrânea, é uma doença neurológica que não se resume à conhecida dor de cabeça. A frequência e a intensidade das crises variam entre os pacientes, mas as mulheres são as mais afetadas – especialmente na perimenopausa, período marcado pela maior variação hormonal. Quem convive com a condição precisa enfrentar sintomas que costumam interferir na qualidade de vida, nos relacionamentos, desempenho profissional e em atividades do dia a dia.


Anestesiologista e médico da dor da Clínica Ceder, Dr. Luiz Maurício Fonseca explica que as oscilações hormonais estão entre os fatores capazes de modificar o padrão das crises ao longo da vida. “A enxaqueca é caracterizada por alterações na excitabilidade e no processamento cerebral da dor, com participação importante no chamado sistema trigeminovascular e de mediadores como o CGRP. Como os hormônios sexuais, principalmente o estrogênio, modulam esses mecanismos, suas oscilações podem reduzir o limiar para o aparecimento das crises em mulheres predispostas”, afirma.


Embora os gatilhos sejam individuais e nem todos estejam presentes, além das alterações hormonais, fatores como sono irregular, jejum prolongado, estresse, mudanças de rotina e determinados hábitos alimentares atuam como estimulantes ou moduladores das crises.


Assim como a dor latejante e de intensidade moderada a intensa, durante uma crise podem ocorrer náuseas, vômitos e maior sensibilidade à luz e aos sons. Alguns pacientes também apresentam tontura e aura, sintomas que afetam a visão, a fala ou a capacidade de sentir sensações. Diante desse quadro, muitas pessoas recorrem ao uso de analgésicos e anti-inflamatórios.


Segundo o médico da dor, quando o consumo se torna repetitivo, pode haver o desenvolvimento da chamada cefaleia por uso excessivo de medicamentos, condição associada ao aumento da frequência e cronificação da dor. “Os limites considerados excessivos dependem da classe do medicamento. Em geral, o uso de analgésicos simples ou anti-inflamatórios em 15 ou mais dias por mês, ou de triptanos, opioides e determinadas associações analgésicas em 10 ou mais dias por mês, por período superior a três meses, deve levantar preocupação, especialmente quando o paciente apresenta cefaleia em 15 ou mais dias por mês”, alerta.


Ele ainda reforça que, ao aumentar progressivamente o consumo de medicamentos para controlar cada episódio, sem que sejam avaliados a frequência das crises, o diagnóstico, as comorbidades e a necessidade de tratamento preventivo, cria-se um ciclo no qual a pessoa encara mais dias de dor e, consequentemente, utiliza mais medicação.


Controle e prevenção - A enxaqueca não tem cura definitiva, mas pode ser controlada para evitar uma rotina que gira em torno de viver à espera da próxima crise. O Dr. Luiz Fonseca ressalta que a estratégia terapêutica depende do número de dias de cefaleia e enxaqueca por mês, intensidade das crises, grau de incapacidade, resposta aos tratamentos anteriores, comorbidades e das características individuais de cada paciente. “O tratamento pode envolver duas estratégias complementares: tratamento agudo, destinado a interromper uma crise quando ela ocorre, e tratamento preventivo, indicado para reduzir a frequência, intensidade e impacto das crises ao longo do tempo”, explica.


Atualmente existem diferentes opções preventivas, incluindo medicamentos e terapias desenvolvidas especificamente para mecanismos ligados à doença, como tratamentos direcionados ao CGRP. Uma abordagem abrangente também pode focar na regularização do sono, atividade física, alimentação adequada, manejo do estresse, identificação individualizada de fatores desencadeantes e tratamento de comorbidades que possam interferir no controle da doença.


“Hoje, o objetivo não é simplesmente fazer a dor desaparecer por algumas horas. Precisamos entender o padrão da enxaqueca, quantos dias de dor o paciente apresenta, quanto medicamento utiliza, quais fatores estão modulando suas crises e se existe indicação de tratamento preventivo. O resultado que buscamos é reduzir a frequência e a intensidade das crises e, principalmente, devolver funcionalidade e qualidade de vida ao paciente”, conclui.


 
 
bottom of page