Gordura corporal pode ser chave para acelerar cicatrização e tratar fístulas

Uma técnica que usa gordura retirada do próprio corpo do paciente vem sendo estudada como alternativa para ajudar no tratamento de fístulas, principalmente nos casos mais complexos. A proposta é aproveitar células e outros componentes presentes no tecido adiposo para estimular a cicatrização e controlar a inflamação.
“A ideia é aproveitar o potencial de reparação do próprio organismo. Retiramos uma pequena quantidade de gordura do paciente, preparamos esse material e o aplicamos na região da fístula, associado ao tratamento do canal que mantém o problema. A gordura contém células mesenquimais e outros componentes que podem ajudar a controlar a inflamação e favorecer a cicatrização”, explica a coloproctologista Glícia Abreu.
De acordo com a especialista, o maior interesse está nas fístulas complexas, especialmente quando outros tratamentos não resolveram ou quando há a necessidade de preservar os músculos responsáveis pelo controle de gases e fezes.
Técnica elimina a necessidade de cirurgia? Apesar do avanço das pesquisas, a aplicação de gordura não deve ser entendida como uma substituição automática da cirurgia. “Nas fístulas, geralmente ele complementa o procedimento cirúrgico. A limpeza do canal e o fechamento da abertura interna continuam sendo partes importantes do tratamento. A proposta é favorecer a cicatrização com uma abordagem que preserve a musculatura anal”, ressalta a coloproctologista.
A especialista também alerta para a ideia de que tratamentos com células-tronco representam uma garantia de cura. Na prática, os resultados podem variar conforme a doença, a técnica empregada e as condições de cada paciente. “A principal expectativa a evitar é a de que ‘células-tronco’ sejam uma garantia de cura. Elas representam uma linha de pesquisa com potencial, mas o resultado depende da doença, da preparação utilizada e dos cuidados associados”, aponta.
Outro cuidado importante é entender que o fechamento de uma fístula não significa necessariamente que o problema nunca mais vai aparecer. “Uma fístula pode fechar e voltar depois. Também pode parecer fechada por fora e ainda não estar completamente cicatrizada por dentro. Por isso, o acompanhamento é essencial para confirmar e avaliar a duração do resultado”, explica Abreu.


