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Uso do celular cresce entre idosos, mas envelhecimento exige mais cuidado com a sobrecarga das mãos

  • há 3 horas
  • 3 min de leitura
Crédito da foto: Magnific.
Crédito da foto: Magnific.

O celular se tornou parte da rotina de pessoas de todas as idades. Para quem tem mais de 60 anos, o aparelho facilita a comunicação, aproxima familiares e oferece acesso a serviços, informações e entretenimento.


O cenário é demonstrado por dados. Em 2025, 74,5% dos brasileiros com 60 anos ou mais utilizaram a internet, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um crescimento de 4,4 pontos percentuais em apenas um ano, o maior avanço proporcional entre as faixas etárias. O movimento também aparece na posse de celulares: 80,3% dos idosos tinham telefone móvel para uso pessoal em 2025, ante 78,3% no ano anterior.


Com a maior presença dos celulares no cotidiano, também cresce o tempo de exposição a movimentos repetitivos das mãos, como digitar, deslizar a tela e segurar o aparelho por períodos prolongados. Embora o uso do celular não seja, isoladamente, responsável por lesões, a repetição desses movimentos e a permanência das mãos e dos punhos em determinadas posições podem favorecer o surgimento ou o agravamento de dores e outros desconfortos.


Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Dr. Roberto Luiz Sobania, a sobrecarga merece atenção especial entre os idosos. “Os esforços nos idosos sempre preocupam mais do que nos jovens, uma vez que eles têm menor capacidade muscular. As pessoas idosas já gastaram mais as articulações e perderam um pouco de massa muscular. Sendo assim, o uso excessivo de celular tem uma chance maior de causar dor, desconforto e de fazer com que eles tenham que fazer pausas mais frequentes”, explica o especialista.


O problema pode ser ainda mais perceptível em quem já apresenta artrose, principalmente nas articulações próximas à ponta dos dedos e na base do polegar. Segurar o celular com as duas mãos e digitar continuamente com os dois polegares pode aumentar o desconforto nessas regiões. “Isso não significa que pessoas com mais de 60 anos precisem deixar de usar o celular. A recomendação é adaptar a maneira de utilizar o aparelho e respeitar os sinais do corpo. Fazer pausas durante o uso, alternar as atividades e recorrer a recursos como mensagens de áudio e digitação por voz são medidas simples que podem ajudar a reduzir a sobrecarga das mãos”, pontua o presidente da SBCM.


A postura também merece atenção. Manter a cabeça inclinada para olhar a tela por longos períodos pode sobrecarregar a região do pescoço, enquanto segurar o aparelho continuamente exige esforço dos braços e das mãos. Utilizar um suporte para deixar o celular na altura dos olhos pode ser uma alternativa mais confortável.


Outra recomendação do ortopedista é mudar a forma de digitar: em vez de segurar o aparelho com as duas mãos e utilizar os dois polegares, uma opção é segurar o celular com uma mão e usar o dedo indicador da outra para tocar na tela. “Essa posição fará com que a pessoa perca um pouco de velocidade na digitação, mas, por outro lado, trará um conforto muito maior”, fala Sobania.


Para tarefas mais longas, a orientação é, sempre que possível, optar pelo computador. A tela maior permite uma posição mais adequada, com os pés apoiados no chão, coluna apoiada e antebraços sobre a mesa.


Também é importante ficar atento aos sinais de alerta. Uma dor ocasional depois de um período prolongado de uso pode melhorar com descanso e redução do tempo diante do celular. Porém, quando o desconforto persiste ou começa a atrapalhar atividades simples do dia a dia, é hora de buscar avaliação profissional. “Se mesmo com a redução do uso do celular a dor persistir, ou havendo dificuldade para utilizar o aparelho até por pequenos períodos, ou para segurar outros objetos, girar chaves, abrir potes e garrafas, a pessoa deve procurar rapidamente um atendimento especializado”, ressalta o ortopedista.


A atenção deve ser redobrada quando já existem deformidades nos dedos ou estalos e crepitação na região da base do polegar, sinais que podem indicar alterações articulares anteriores e maior possibilidade de agravamento.


Além de ajustar a forma de usar a tecnologia, exercícios simples de alongamento e fortalecimento podem fazer parte da rotina, desde que sejam adequados para cada pessoa. Alongar mãos e punhos e realizar movimentos de fortalecimento podem ajudar a preservar a musculatura e proteger as articulações. “A tecnologia deve facilitar a vida e não se transformar em fonte de dor. Para quem tem mais de 60 anos, pequenas mudanças na maneira de usar o celular podem fazer diferença para manter o conforto, a autonomia e o prazer de estar conectado”, conclui.


 
 
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