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Tempo é cérebro: novas tecnologias usam IA para ajudar casos de AVC


O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo. A cada minuto que o tratamento é adiado, milhões de neurônios são perdidos, o que reforça o lema adotado por especialistas: “tempo é cérebro”. Diante desse desafio, a tecnologia — especialmente a inteligência artificial (IA) — tem se tornado uma aliada essencial no diagnóstico precoce e no atendimento rápido a pacientes com suspeita de AVC, revolucionando o cuidado emergencial e salvando vidas.


Nos últimos anos, hospitais públicos e privados vêm incorporando sistemas de IA capazes de identificar sinais de AVC em exames de imagem em poucos minutos, acelerando o processo de decisão médica. Plataformas como RapidAI, Viz.ai e outras soluções integradas de teleneurologia analisam tomografias e ressonâncias automaticamente, destacando possíveis obstruções ou hemorragias cerebrais. A tecnologia envia alertas em tempo real para equipes médicas, permitindo que o tratamento seja iniciado ainda antes da chegada do neurologista, reduzindo drasticamente o tempo entre o diagnóstico e a intervenção.


Segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV), a agilidade é determinante para o prognóstico. Quando o paciente recebe atendimento dentro das primeiras quatro horas após o início dos sintomas, as chances de recuperação completa podem ser até 80% maiores. “A IA permite que hospitais regionais atuem com a mesma eficiência de grandes centros urbanos, conectando especialistas e otimizando recursos. Isso democratiza o acesso ao atendimento de urgência e salva vidas que antes dependeriam da distância e da sorte”, explica a neurologista Dra. Juliana Carvalho, coordenadora de um centro de referência em Salvador.


Além do diagnóstico, a inteligência artificial também auxilia no acompanhamento e reabilitação de pacientes. Aplicativos e plataformas de monitoramento remoto utilizam sensores e algoritmos para avaliar força, equilíbrio e coordenação motora, ajustando planos de fisioterapia de forma personalizada. Essa abordagem inteligente reduz o tempo de internação, melhora a adesão ao tratamento e permite que pacientes retornem mais rapidamente às suas atividades cotidianas, com segurança e autonomia.


Apesar dos avanços, a adoção dessas tecnologias ainda enfrenta desafios, especialmente na rede pública de saúde, onde a conectividade e a infraestrutura hospitalar limitam a aplicação da IA em larga escala. O Ministério da Saúde e instituições de pesquisa têm trabalhado em projetos-piloto que integram sistemas de diagnóstico automatizado ao SUS, priorizando estados com maior incidência da doença. A expectativa é que, até 2026, pelo menos 200 hospitais de médio porte contem com ferramentas de IA para detecção de AVC em tempo real.


A mensagem dos especialistas é clara: reconhecer os sintomas e buscar ajuda imediata continua sendo o primeiro passo para salvar vidas. A neurologista Dra. Juliana reforça o método prático de identificação do AVC, conhecido pela sigla “SAMU”:


S – Sorria: observe se a boca está desviada;

A – Abrace: peça para a pessoa levantar os dois braços e veja se há fraqueza em um lado;

M – Mensagem: peça para repetir uma frase e avalie se há alteração na fala;

U – Urgente: ligue imediatamente para o SAMU (192) e acione o atendimento de emergência.


A combinação entre conhecimento popular e tecnologia de ponta pode transformar o cenário do AVC no país. Com o avanço da IA, o diagnóstico está mais rápido, o tratamento mais preciso e o futuro da neurologia mais promissor. No fim das contas, a mensagem que ecoa entre especialistas é uma só: quanto mais cedo a tecnologia entra em ação, mais vidas e cérebros são preservados.


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