Solla rebate declarações de blogueiro contra baianos

O deputado federal Jorge Solla (PT-BA) apresentou ao Ministério Público Federal (MPF) pedido de medida cautelar contra o blogueiro Rodrigo Constantino por falas preconceituosas dirigidas aos baianos após votação expressiva do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado.
Logo após o resultado do primeiro turno, no domingo 4 de outubro, o blogueiro soltou vídeo para milhões de pessoas com falas como “A Bahia é um câncer”, “Salvador é um lixo”, “ninguém quer trabalhar” e “baianos são uma vergonha pro Brasil”.
“Chamar o povo baiano de ‘vergonha do Brasil’, dizer que ‘ninguém quer trabalhar’, só mostra a ignorância de quem não conhece a dimensão da Bahia, nem a riqueza dos baianos. Mas ignorar a lei não deixa ninguém isento de responder a ela”, cravou Solla.
No pedido, Solla evocou a Lei 7.716/89, que tipifica como crime “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, com agravante uso de meios de comunicação, redes sociais ou publicação de qualquer natureza.
Para Solla as falas são reflexo de um pensamento escravocrata de quem se julga superior aos baianos. “Quer dizer, se não for feita a vontade do sinhozinho, então, os baianos não têm capacidade crítica de pensar por si. Toda eleição é isso contra os nordestinos”, observa.
O tom discriminatório, continua Solla, também é carregado de um estigma histórico sobre a suposta “preguiça baiana”. “É um discurso racista, que atravessa o tempo, com a versão dos senhores que lucravam com trabalho forçado na escravidão,. O tempo do chicote acabou”, diz.
Na peça, o deputado pede ao MPF a retirada do vídeo do ar, em todas as plataformas virtuais, bem como vedação de novas transmissões. “Para ficar claro: não se trata da apuração do trecho que se refere ao PT, mas dos trechos que se referem à Bahia e aos baianos”, conclui.
Na tarde desta terça-feira (6), a Polícia Civil da Bahia também instaurou um procedimento para apurar “eventuais responsabilidades relacionadas à divulgação nas redes sociais de conteúdos com possível caráter discriminatório contra a população baiana”.


