Salvador em estado de fé no dia do Senhor do Bonfim
- Fernando Junior
- 15 de jan.
- 1 min de leitura

Salvador amanhece diferente no dia do Senhor do Bonfim. Não é apenas uma festa religiosa, mas um momento em que a cidade entra em estado de fé. Pessoas vestidas de branco, promessas guardadas no peito e olhares emocionados ocupam as ruas em uma celebração que mistura devoção, cultura popular e a energia singular da Bahia.
O centro da celebração é o cortejo que parte da Igreja da Conceição da Praia em direção à Colina Sagrada, em um percurso de aproximadamente oito quilômetros. É uma caminhada guiada pela fé. Alguns seguem em silêncio, outros conversam ou cantam, cada qual em seu ritmo, mas todos movidos pela mesma crença e esperança.
Em anos de contexto político, a festa também se torna vitrine pública. Autoridades e figuras públicas marcam presença, buscando visibilidade e registros. Faz parte do cenário urbano e do jogo político. Ainda assim, o que sustenta o Bonfim não é o palco nem a câmera, mas a fé popular, que não se improvisa nem se encena.
Há diferentes formas de chegar à Colina Sagrada. Muitos fazem todo o trajeto a pé, como sinal de devoção. Outros se aproximam de carro, por necessidade ou conforto. Há ainda quem chegue pela Baía de Todos-os-Santos, em barcos e lanchas, transformando o deslocamento em um momento de contemplação da cidade vista do mar.
Ano após ano, o Senhor do Bonfim reafirma que Salvador segue adiante mesmo diante das dificuldades. A tradição funciona como base emocional coletiva, conectando passado e presente. Quem busca aparecer, aparece. Quem busca rezar, reza. E é essa fé silenciosa que permanece quando o dia termina.





