Mutações nos espermatozoides aumentam 31% em homens com mais de 45 anos, diz estudo
- há 56 minutos
- 2 min de leitura

A idade paterna, historicamente menos considerada do que a idade materna nas avaliações de fertilidade, vem ganhando destaque nas pesquisas mais recentes em reprodução assistida. Um estudo liderado pela Fundação IVI e apresentado durante o 42º Congresso Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE) demonstra que homens com mais de 45 anos apresentam 31% mais mutações nos espermatozoides quando comparados a homens com menos de 30 anos.
A pesquisa, intitulada “Aumento de mutações somáticas específicas de espermatozoides em idade paterna avançada: implicações para o rastreamento genético pré-concepcional”, mostra que muitas dessas alterações genéticas estão presentes exclusivamente nos espermatozoides e não são detectadas pelos exames convencionais realizados a partir de amostras de sangue, podendo, no entanto, ser transmitidas aos futuros filhos.
Segundo a Dra. Genevieve Coelho, Diretora Médica do IVI Salvador, os resultados reforçam a importância de ampliar a avaliação genética masculina, especialmente em casos de idade paterna avançada. "Durante muitos anos, a idade materna foi o principal foco das investigações sobre fertilidade. Hoje sabemos que a idade do homem também exerce influência importante sobre a qualidade genética dos espermatozoides. Este estudo demonstra que algumas mutações só podem ser identificadas no sêmen, o que abre caminho para uma abordagem mais completa e personalizada na avaliação reprodutiva dos pacientes", destaca.
Atualmente, os testes genéticos utilizados na prática clínica analisam amostras de sangue e partem do princípio de que elas representam todo o material genético do organismo. Entretanto, a pesquisa mostra que esse conceito pode não ser suficiente, já que determinadas mutações permanecem restritas aos espermatozoides. Entre as alterações identificadas pelos pesquisadores estão variantes genéticas relacionadas ao sistema nervoso, ao transtorno do espectro autista, à deficiência intelectual, doenças cardiovasculares, patologias hepáticas, imunodeficiências graves e até genes associados ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer.
Para a Dra. Genevieve Coelho, as descobertas apontam para uma possível mudança nos protocolos de avaliação da fertilidade masculina. "Os avanços da genética têm permitido compreender melhor fatores que antes passavam despercebidos. A incorporação de análises específicas dos espermatozoides pode representar um importante avanço na medicina reprodutiva, principalmente para homens acima dos 45 anos e também em programas de doação de sêmen", afirma.
Novas evidências sobre o desenvolvimento embrionário - Outro estudo apresentado pelo IVI durante o congresso da ESHRE também traz avanços importantes para a reprodução assistida. A pesquisa “Diferentes perfis de secretoma caracterizam embriões humanos euploides e aneuploides cultivados por até 14 dias em um sistema avançado de cocultura endometrial 3D”, investigou as diferenças entre embriões euploides (com número normal de cromossomos) e aneuploides, que apresentam alterações cromossômicas e estão entre as principais causas de falhas de implantação e abortamentos precoces.
Os pesquisadores analisaram as proteínas e moléculas liberadas pelos embriões durante os primeiros dias de desenvolvimento e observaram que embriões com alterações cromossômicas apresentam comportamentos distintos desde fases muito iniciais. Essas informações podem contribuir para tornar a seleção embrionária ainda mais precisa, aumentando as chances de sucesso dos tratamentos de Fertilização in Vitro e permitindo uma medicina reprodutiva cada vez mais personalizada, baseada no perfil biológico de cada paciente.


