Medicamento para libido, a “pílula rosa”, quebra tabus sobre desejo sexual feminino
- edufribeiro07
- 18 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Um considerável avanço no campo da saúde sexual feminina se materializa com o medicamento Flibanserina popularmente apelidado de “pílula rosa”. Inicialmente desenvolvido para tratar o transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) em mulheres na pré-menopausa, o medicamento representa um marco simbólico: o reconhecimento de que a falta de desejo sexual entre mulheres pode ter causas biológicas e não apenas psicológicas ou relacionais.
A forma como a flibanserina atua evidencia esse aspecto central: diferentemente dos medicamentos masculinos voltados à disfunção erétil, que atuam via vasodilatação ou estímulo direto ao órgão genital, a flibanserina age no sistema nervoso central. Ela regula neurotransmissores como dopamina, noradrenalina e serotonina, promovendo estímulo de desejo sexual feminino e agindo sobre dimensões mais amplas de excitação e motivação sexual.
Contudo, o medicamento sempre esteve envolto em controvérsias. Sua aprovação foi marcada por forte pressão de grupos feministas, médicos e da indústria farmacêutica para que fosse reconhecida uma solução medicamentosa para a diminuição de desejo sexual nas mulheres algo que até então era tratado principalmente como questão emocional ou relacional. A aprovação pela Food and Drug Administration (EUA) em 2015 para mulheres pré-menopáusicas foi recebida com otimismo, mas também com reservas sobre eficácia e segurança.
As críticas incluem o fato de que os ganhos relatados foram modestos por exemplo, em alguns estudos as mulheres que utilizaram o medicamento relataram em média apenas cerca de 1,5 relações sexuais a mais por mês comparadas ao placebo. Além disso, efeitos colaterais relevantes foram registrados, tais como tontura, sonolência, náusea, pressão arterial baixa, especialmente quando combinado com álcool.
Apesar desses desafios, o impacto simbólico do surgimento da “pílula rosa” vai além da medicação em si. Ele ajuda a abrir o debate sobre sexualidade feminina, desejo e autocuidado em saúde historicamente temas menos abordados ou mais estigmatizados no caso das mulheres. Ao trazer para o primeiro plano que o desejo sexual feminino pode ter base neuroquímica, hormonal ou fisiológica, o medicamento contribui para romper tabus e estimular maior atenção clínica e pesquisa nessa área.
No Brasil, entretanto, a flibanserina ainda não tem aprovação oficial para uso, e não há previsão pública imediata de registro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Assim, embora exista em outros países, sua disponibilidade e regulamentação variam, o que exige que profissionais de saúde orientem cuidadosa e individualmente mulheres com queixas de baixa libido, levando em conta causas físicas, emocionais e de estilo de vida.
Em síntese, a “pílula rosa” representa uma virada importante no universo da saúde sexual feminina ainda que não seja uma solução milagrosa. Ela reforça a necessidade de olhar para o desejo feminino com seriedade, como parte integrante do bem-estar da mulher, de sua saúde e de sua qualidade de vida. Mais do que isso, estimula que sejam integrados nas abordagens clínicas elementos orgânicos, psicológicos, relacionais e sociais para um cuidado mais completo.





