Longevidade saudável depende mais dos hábitos do que da genética
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Durante décadas, acreditou-se que a genética era a principal responsável pela forma como as pessoas envelhecem. Hoje, a ciência aponta outro caminho. Um estudo publicado na Nature Medicine, que analisou dados de 492.567 participantes do UK Biobank, concluiu que fatores relacionados ao estilo de vida e ao ambiente exercem influência significativamente maior sobre a longevidade do que a herança genética. Enquanto a predisposição genética explicou menos de 2% da variação no risco de mortalidade, fatores ambientais e comportamentais responderam por cerca de 17%. Entre os aspectos com maior impacto estão tabagismo, nível de atividade física, condições socioeconômicas, qualidade das condições de moradia e outros hábitos cotidianos. Dos 25 fatores identificados como mais relevantes para o envelhecimento biológico, 23 podem ser modificados por mudanças de comportamento.
Para André Trombini, diretor de wellness e longevidade do VICCI Studio, os resultados reforçam uma mudança importante na forma de compreender o envelhecimento. "As escolhas que fazemos diariamente têm enorme influência sobre a forma como nosso organismo envelhece. Mais do que viver por muito tempo, o grande objetivo deve ser preservar a autonomia e a capacidade de realizar as atividades do dia a dia com independência e qualidade de vida."
Esse conceito, conhecido internacionalmente como healthspan, vem ganhando espaço entre pesquisadores por deslocar o foco da quantidade de anos vividos para a qualidade desses anos. Em vez de apenas prolongar a vida, a proposta é ampliar o período em que as pessoas conseguem trabalhar, praticar atividades físicas, viajar, conviver com a família e manter sua independência. Embora muitas pessoas ainda associem a longevidade a procedimentos sofisticados e tratamentos de alta complexidade, as evidências científicas mostram que os maiores ganhos continuam vindo de hábitos básicos, como movimentar o corpo regularmente, dormir bem, alimentar-se de forma equilibrada, controlar o estresse e preservar a massa muscular. A combinação desses fatores influencia diretamente a capacidade funcional, considerada hoje um dos principais indicadores de envelhecimento saudável. "O maior patrimônio de uma pessoa não é chegar aos 70, 80 ou 90 anos mantendo a liberdade de fazer aquilo que gosta. A longevidade começa muito antes dos 60 anos. Ela é construída diariamente por meio de escolhas que parecem pequenas, mas produzem efeitos acumulativos ao longo das décadas", afirma Trombini.
Segundo o especialista, a tecnologia também desempenha um papel importante nesse processo quando utilizada para compreender melhor o funcionamento do organismo e orientar estratégias preventivas personalizadas. O acompanhamento de indicadores relacionados ao movimento, ao sono, à regeneração e à capacidade funcional permite identificar oportunidades de melhoria antes do surgimento de limitações ou doenças. "No VICCI Studio, utilizamos essas informações para tornar o cuidado mais preciso e orientar decisões baseadas em dados, sempre respeitando as necessidades, os objetivos e o momento de vida de cada pessoa", explica.
Na avaliação de Trombini, o envelhecimento da população exigirá uma mudança de mentalidade nos próximos anos. "Estamos caminhando para um modelo de saúde cada vez mais preventivo. O verdadeiro retorno do investimento em longevidade não é a conquista da autonomia e da qualidade de vida durante o maior tempo possível." Se antes o envelhecimento era visto como uma consequência inevitável da genética, hoje a ciência demonstra que ele é resultado, em grande parte, das escolhas feitas diariamente. Não é só acrescentar anos à vida, a longevidade saudável acrescenta vida aos anos.


