top of page

KAIALA nos Terreiros celebra dez anos do espetáculo com apresentações gratuitas em terreiros da Bahia

  • há 14 minutos
  • 2 min de leitura
Foto: Andre Souza.
Foto: Andre Souza.


O espetáculo KAIALA, primeiro solo do ator, comunicador e humorista Sulivã Bispo, que há dez anos ocupa a cena baiana articulando humor, ancestralidade, identidade e cultura afro-brasileira, agora chega aos terreiros de Candomblé. Para celebrar uma década de trajetória, o projeto KAIALA nos Terreiros leva o monólogo a casas de culto de matriz africana na Bahia, aproximando a obra das comunidades e dos territórios que inspiraram sua criação. A iniciativa conta com apoio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) e da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur).


O projeto prevê seis apresentações gratuitas. A primeira aconteceu no dia 14 de agosto, durante a celebração dos 190 anos do Terreiro Ilê Axé Oxumarê, na Federação, em Salvador. A programação segue no próximo domingo (30), às 16h, no Ilê Axé Opô Ajagunã, em Lauro de Freitas. Até 19 de setembro, o espetáculo ainda passará por terreiros de Santo Amaro, Ilha de Itaparica e Salvador. A iniciativa reafirma os terreiros como espaços de preservação de saberes ancestrais, de resistência cultural e de produção de conhecimento. Além de democratizar o acesso ao teatro, KAIALA nos Terreiros propõe reflexões sobre liberdade religiosa, enfrentamento ao racismo religioso, valorização da cultura negra e representatividade na cena artística.


Espetáculo baseado em fatos reais - Inspirado em fatos reais e com contornos ficcionais, KAIALA conta a história de uma menina de 10 anos, iniciada no Candomblé de Nação Angola, assassinada em um ato de intolerância religiosa em um terreiro. Em cena, Sulivã Bispo interpreta três personagens (um irmão de santo, a avó e ialorixá da menina e uma mulher evangélica), conduzindo o público por diferentes perspectivas sobre fé, preconceito, ancestralidade e resistência.


Toques percussivos, violino, canto, contos sagrados e referências da cultura popular integram a construção cênica do espetáculo, que entrelaça humor, emoção e espiritualidade. A narrativa coloca em evidência a potência da cultura afro-brasileira e o direito à liberdade religiosa, sem abrir mão da linguagem do humor que caracteriza o trabalho do artista. Ao levar KAIALA para dentro dos terreiros, o projeto também estabelece um movimento de retorno às comunidades que constituem parte fundamental do universo simbólico da obra. A proposta é criar espaços de encontro e troca, aproximando o teatro dos territórios de matriz africana e estimulando debates sobre arte, performance negra, ancestralidade e resistência.


Ao longo de dez anos, KAIALA circulou por diferentes espaços e chegou a ocupar o palco principal do Teatro Castro Alves. Com KAIALA nos Terreiros, a celebração da trajetória do espetáculo ganha um significado especial ao retornar às comunidades e aos territórios que integram seu universo de referências, fortalecendo o diálogo entre a produção artística e os terreiros de Candomblé.


 
 
bottom of page