Indústria internacional da moda cresce 7% ao ano e reinventa os desfiles mundiais
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As gerações Z e Alpha estão liderando uma reformulação global no mercado da moda. Responsável por movimentar R$ 1,4 trilhão no ano passado, esse público-alvo passou a direcionar as estratégias de grandes players como Nike, Shein, Zara, Gucci e H&M, conforme aponta a Fortune Business Insights.
Esse avanço expressivo, com taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 7,4%, atraiu a atenção de marcas globais para os novos comportamentos de consumo dos jovens. O mercado identificou que o interesse dessa geração vai além dos produtos, conectando-se profundamente a pautas sociais e culturais que exigem representatividade em campanhas internacionais.
As mudanças, no entanto, vão além do consumo. Ditando as tendências das fashion weeks, passarelas, publicidades e assumindo os “novos rostos” de maisons como Dior, Schiaparelli, Chanel, Giambattista Valli e Valentino, a Geração Z trouxe a representatividade que estava no consumo para dentro dos desfiles de moda. Com o mercado se renovando ano após ano, modelos brasileiras como Luma Vitória (24 anos), Bruna Souza (22) e Josefa Santos (21) provam que os novos rostos das passarelas, nos últimos anos, passaram a refletir origens e narrativas, aproximando as grandes maisons de um público cada vez mais conectado às redes sociais e à representatividade.
Esse movimento é sentido pela empresária Mônica Mota, que acompanha de perto o avanço da internacionalização de modelos brasileiras como uma estratégia cada vez mais presente dentro da Model Club Agency. Segundo a profissional, o mercado internacional exige uma operação estruturada, com planejamento financeiro, análise de perfil e acompanhamento contínuo das modelos. “Existe uma preparação estratégica muito profunda antes das modelos desfilarem. A avaliação passa por maturidade emocional, estrutura familiar e adaptação, além do perfil comercial de cada uma. O mercado internacional exige responsabilidade e visão empresarial, porque estamos falando de carreiras construídas desde muito cedo, e que dialogam com o perfil mais jovem e menos preparado para o mercado de trabalho, a priori”, explica Mônica.
Para passar pelo obstáculo do despreparo para o mercado de trabalho, Mônica lista uma rede multidisciplinar que acompanha o desenvolvimento pessoal e profissional das adolescentes. Com a GenZ chegando agora ao grande mercado, a empresária revela que as jovens passam por uma rotina de estudos de inglês, educação alimentar, controle emocional, disciplina com horários e preparação técnica para fotografia e desfiles nacionais e internacionais.
Segundo a empresária, o mercado também ampliou espaço para perfis mais comerciais, o que diversificou as oportunidades fora do Brasil e abriu portas para modelos que antes não se encaixavam exclusivamente no padrão fashion tradicional. Em muitos casos, contratos fechados em moeda estrangeira tornam o retorno financeiro internacional mais competitivo do que o mercado nacional, especialmente em polos como Londres, Milão, Seul e Xangai.
A transformação estética e cultural impulsionada pela Geração Z também mudou a lógica de atuação das agências internacionais. Para Mônica, a ascensão de modelos com perfis mais diversos acompanha uma mudança direta no comportamento das grandes marcas, que passaram a buscar profissionais capazes de representar estilos de vida, posicionamentos e conexões reais com o público jovem. “Hoje, o mercado internacional observa para além da imagem. A forma como a modelo se comunica, se posiciona e entende o ambiente em que está inserida passou a ter impacto direto na construção da carreira. O inglês deixou de ser um diferencial há muito tempo. Entender contratos, participar de reuniões, compreender direcionamentos criativos e conseguir se adaptar culturalmente faz parte da rotina de quem deseja construir uma trajetória sólida fora do Brasil. Existe uma preparação silenciosa que acontece antes da passarela e que, muitas vezes, é o que sustenta a permanência dessas modelos nos grandes mercados”, conclui.


