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Impacto da IA no setor jurídico das empresas ultrapassa os 50%, diz KPMG


A inteligência artificial (IA) está transformando de forma profunda a maneira como empresas lidam com suas demandas jurídicas. Um novo levantamento da KPMG Brasil, divulgado nesta segunda-feira (3), revelou que mais de 50% das empresas nacionais já utilizam IA em algum nível em seus departamentos jurídicos seja para automatizar tarefas, reduzir riscos ou aprimorar a gestão de contratos. O estudo indica que a tecnologia tem se consolidado como um dos pilares estratégicos de inovação corporativa.


O relatório aponta que as principais aplicações estão em análise preditiva, gestão documental e automação de processos repetitivos, especialmente em áreas como compliance, contencioso e consultoria legal. Entre os entrevistados, 68% afirmaram que a IA já trouxe ganhos de produtividade e reduziu em até 40% o tempo gasto em tarefas operacionais. Esses dados reforçam o papel da tecnologia como aliada na tomada de decisão e na eficiência das rotinas jurídicas.


De acordo com o sócio-líder da área jurídica da KPMG, Marcelo Pimentel, a automação não substitui o advogado, mas amplia sua capacidade de análise e estratégia. “A inteligência artificial permite que o profissional jurídico deixe de atuar de forma reativa e passe a ser mais preditivo. Isso eleva o valor agregado do setor e melhora o suporte às decisões corporativas”, explica o executivo.


A pesquisa também mostrou que 43% das empresas ainda estão em fase inicial de implementação, enfrentando desafios como custo de tecnologia, adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e falta de capacitação interna. No entanto, o estudo destaca que os escritórios e departamentos que adotaram soluções de IA conseguiram reduzir erros humanos, melhorar o controle de prazos e identificar riscos antes que se transformem em litígios.


Para a advogada e especialista em direito digital Fernanda Matos, o avanço da IA também levanta debates éticos e regulatórios. “Há uma preocupação crescente com a transparência e a responsabilidade das decisões automatizadas. A IA deve ser usada como ferramenta de apoio, nunca como substituta integral do julgamento humano”, ressalta.


Com o crescimento acelerado da tecnologia, o mercado jurídico brasileiro começa a seguir a tendência global de lawtechs e plataformas automatizadas. Segundo projeções da KPMG, até 2027, cerca de 75% das empresas do país terão algum nível de automação baseada em IA em suas rotinas jurídicas, consolidando uma nova era de eficiência e governança no setor corporativo.

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