Idosos mais conectados: entenda como a tecnologia impacta a saúde emocional

A presença dos idosos no ambiente digital nunca foi tão grande no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 74,5% das pessoas com 60 anos ou mais utilizaram a internet em 2025. Em 2024, eram 70,1%, um avanço de 4,4 pontos percentuais em apenas um ano, o maior crescimento registrado entre todas as faixas etárias.
A transformação também aparece no uso do celular. Segundo o levantamento, 80,3% dos idosos possuíam telefone móvel para uso pessoal em 2025, ante 78,3% no ano anterior. O cenário mostra que a tecnologia passou a ocupar um espaço cada vez maior na rotina dessa população, seja para conversar com familiares, consumir entretenimento, acessar serviços ou utilizar redes sociais.
Para o Mestre em Ciências do Envelhecimento, Diego Rodrigues Costa Lana, professor do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, essa maior inclusão digital pode trazer benefícios importantes para o bem-estar e a autonomia na terceira idade. “A tecnologia pode ser uma grande aliada do envelhecimento quando amplia possibilidades de comunicação, informação e participação social. Para muitos idosos, o celular facilita o contato com filhos, netos e amigos, ajuda na realização de atividades do cotidiano e pode contribuir para que a pessoa se sinta mais independente e inserida socialmente”, explica.
Tecnologia pode ajudar a manter vínculos sociais - Na terceira idade, mudanças como aposentadoria, distância de familiares e alterações na rotina podem reduzir algumas oportunidades de convivência. Nesse contexto, chamadas de vídeo, aplicativos de mensagens e redes sociais podem funcionar como ferramentas complementares para a manutenção dos vínculos. “Manter relações sociais é importante em qualquer fase da vida e, na velhice, a tecnologia pode abrir novas formas de interação. Uma chamada de vídeo ou uma conversa por mensagem não substitui necessariamente o encontro presencial, mas pode aproximar pessoas que estão distantes e ampliar as possibilidades de contato ao longo do dia”, destaca o professor.
Por outro lado, o aumento do tempo conectado também exige atenção. Segundo o coordenador, mais importante do que estabelecer um número de horas considerado ideal é observar como o uso do celular interfere na rotina. “O sinal de alerta aparece quando o uso da tecnologia começa a ocupar o espaço de outras atividades importantes. Deixar de encontrar pessoas, abandonar hobbies, dormir mais tarde por permanecer no celular ou sentir irritação e ansiedade quando não consegue acessar o aparelho são comportamentos que merecem atenção”, afirma.
Equilíbrio é o principal cuidado - Para aproveitar os benefícios da inclusão digital, o especialista recomenda que o uso da tecnologia faça parte de uma rotina que também preserve atividades presenciais, exercícios físicos, hobbies, momentos de descanso e convivência com outras pessoas. “Não se trata de afastar o idoso da tecnologia. Pelo contrário, a inclusão digital pode proporcionar autonomia, aprendizado e novas formas de socialização. O importante é que o celular seja mais uma ferramenta dentro de uma rotina diversificada, e não a principal ou única fonte de lazer e interação social”, conclui.


