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IA na escola: aluno está aprendendo ou apenas terceirizando o pensamento?

  • há 14 minutos
  • 3 min de leitura
Imagem produzida com auxílio de IA.
Imagem produzida com auxílio de IA.

Sete em cada dez estudantes brasileiros do Ensino Médio que usam internet já recorrem a ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT, Copilot e Gemini, para realizar pesquisas escolares. O dado da pesquisa TIC Educação, divulgada pelo Cetic.br em 2025, chama atenção para uma mudança que já chegou às salas de aula: a tecnologia deixou de ser uma possibilidade futura e passou a fazer parte da rotina de estudos.


O problema é que a velocidade de adoção não parece acompanhar a orientação. Segundo o mesmo levantamento, apenas 32% dos estudantes do Ensino Médio afirmam ter recebido orientação da escola sobre como utilizar a IA de maneira segura e responsável. Entre os alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, 39% já utilizam essas ferramentas.


A discussão ganhou ainda mais força nas últimas semanas depois que um professor da Alcorn State University, nos Estados Unidos, revelou ter usado uma instrução escondida em uma prova para identificar alunos que recorreram à IA. Dos 35 estudantes, 32 foram identificados após copiarem a questão para uma ferramenta de inteligência artificial sem perceber a armadilha.


Para Kassula Corrêa, Diretora Geral da Start Anglo Bilingual School Recreio, episódios como esse mostram que a discussão não deveria ser apenas sobre como detectar o uso de inteligência artificial, mas sobre como preparar os estudantes para utilizá-la. “A pergunta que precisamos fazer não é apenas se o aluno usou inteligência artificial, mas o que ele fez depois de receber aquela resposta. Ele questionou? Conferiu a informação? Desenvolveu um argumento próprio? Se a tecnologia entrega uma resposta e o aluno simplesmente aceita, deixamos de ter aprendizagem.”


O que a escola precisa ensinar sobre IA? Para Kassula, proibir completamente o uso da tecnologia também não resolve o problema. Crianças e adolescentes já convivem com ferramentas de inteligência artificial fora da escola e precisarão saber utilizá-las em diferentes momentos da vida acadêmica e profissional.


O papel da escola, portanto, passa por desenvolver uma espécie de alfabetização para a IA, ensinando não apenas o funcionamento das ferramentas, mas os limites, riscos e responsabilidades envolvidos. “Não adianta dizer para o aluno que ele não pode usar uma tecnologia que já está presente no mundo. Precisamos ensiná-lo a usá-la com responsabilidade e, principalmente, a não renunciar àquilo que é dele: o pensamento, a criatividade, a capacidade de argumentar e a autoria”, afirma.


Na Start Anglo Bilingual School, no Recreio dos Bandeirantes, o tema é trabalhado dentro de uma proposta que inclui pensamento computacional, programação e uso responsável de ferramentas tecnológicas. A ideia é que a tecnologia seja utilizada para ampliar possibilidades de aprendizagem, e não para eliminar o esforço intelectual necessário para aprender.


Essa, para Kassula, é a principal pergunta. “A melhor tecnologia educacional não é aquela que faz mais pelo aluno. É aquela que permite que o aluno faça mais. Se a IA resolve tudo por ele, podemos até ter uma tarefa pronta, mas não necessariamente tivemos aprendizagem.”


A presença da inteligência artificial também muda o que se espera da própria escola. Se informações e respostas estão cada vez mais acessíveis, competências como pensamento crítico, criatividade, comunicação, colaboração e capacidade de resolver problemas ganham ainda mais importância. Para Kassula, a educação precisa acompanhar essa transformação sem perder de vista aquilo que permanece essencial. “A escola não pode competir com a inteligência artificial em velocidade para entregar respostas. Nosso papel é formar pessoas capazes de fazer perguntas melhores, avaliar respostas, criar soluções e tomar decisões. É isso que continuará fazendo diferença, mesmo em um mundo cada vez mais tecnológico.”, conclui Kassula Corrêa, Diretora Geral da Start Anglo Bilingual School Recreio.

 
 
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