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Gordura e massa muscular podem prolongar vida de pacientes com câncer, aponta novo estudo


Um estudo recente publicado na revista científica JAMA Oncology revelou que a combinação entre massa muscular e uma quantidade moderada de gordura corporal pode aumentar a sobrevida de pacientes com câncer. A pesquisa analisou mais de 10 mil pacientes diagnosticados com diferentes tipos de tumor e concluiu que a composição corporal tem impacto direto na resposta ao tratamento e na qualidade de vida.


Segundo os pesquisadores, o índice de massa magra e o percentual de gordura são fatores determinantes para a tolerância aos tratamentos oncológicos, especialmente à quimioterapia e à imunoterapia. Pacientes que mantêm massa muscular preservada apresentam melhor resposta imunológica, menor risco de infecções e maior resistência física. Já a gordura corporal, quando em níveis equilibrados, pode servir como reserva energética essencial durante os períodos de perda de apetite e fadiga.


A oncologista Dra. Camila Freitas, do Hospital das Clínicas da Bahia, explica que o estudo reforça uma tendência recente na oncologia: olhar para além do peso na balança. “Durante muito tempo, a magreza foi vista como sinal de saúde. Hoje sabemos que o corpo precisa de energia e força para lutar contra o câncer. A perda de massa muscular, chamada de sarcopenia, é um dos maiores inimigos do tratamento”, alerta a médica.


Os resultados mostram que pacientes com índice de massa corporal (IMC) moderado e maior proporção de músculo esquelético tiveram sobrevida média até 20% superior em comparação com aqueles com baixo peso e pouca massa muscular. Em contrapartida, a obesidade excessiva continua sendo fator de risco, pois está associada a inflamações crônicas e à resistência aos medicamentos. O equilíbrio, segundo os autores, é o ponto-chave.


Nutricionistas especializados em oncologia reforçam que o acompanhamento alimentar é tão importante quanto o tratamento médico. Dietas ricas em proteínas magras, gorduras boas e carboidratos de qualidade ajudam a preservar a massa magra e fornecem a energia necessária para o organismo se recuperar. “Não existe fórmula universal. Cada paciente tem uma necessidade específica, e o ideal é um plano alimentar individualizado”, explica a nutricionista Fernanda Lacerda, especialista em nutrição clínica.


Os pesquisadores também destacam a importância da atividade física supervisionada como parte do tratamento. Exercícios de força e resistência, quando adaptados ao quadro clínico, ajudam a manter a funcionalidade muscular, reduzem os efeitos colaterais da quimioterapia e melhoram o bem-estar emocional. “Corpo e mente trabalham juntos no enfrentamento da doença. O cuidado integral é a base de uma boa resposta terapêutica”, conclui a Dra. Camila.


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