Faturamento alto não garante saúde financeira a profissionais da saúde
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Uma agenda cheia e um faturamento elevado podem transmitir a impressão de sucesso financeiro. Nos bastidores de clínicas e consultórios, porém, a realidade nem sempre acompanha o volume de atendimentos. Custos mal dimensionados, retiradas sem planejamento e desconhecimento sobre a margem de lucro fazem com que profissionais da saúde trabalhem muito, movimentem valores expressivos e, ainda assim, enfrentem dificuldades para manter as contas em equilíbrio.
Segundo Catarina Lima, CEO da Referência Gestão de Saúde, um dos equívocos mais frequentes é confundir o dinheiro que entra com o resultado efetivo do negócio. “Faturamento não é lucro. Antes de representar ganho para o profissional, a receita precisa pagar equipe, impostos, taxas, aluguel, insumos, equipamentos, sistemas e outras despesas da operação. Sem conhecer esses números, é possível ter uma clínica movimentada e financeiramente frágil”, explica.
O problema também passa pela formação. Médicos, dentistas, fisioterapeutas e outros profissionais são preparados para oferecer assistência qualificada, mas nem sempre recebem conhecimentos sobre precificação, fluxo de caixa, indicadores e planejamento tributário. A falta de acompanhamento pode levar a atrasos no pagamento de impostos e taxas, incidência de multas, perda de prazos e escolha de um regime tributário incompatível com a realidade do negócio.
Entre os erros mais comuns estão misturar as finanças pessoais com as da clínica, definir preços apenas com base na concorrência, realizar retiradas sem estabelecer pró-labore e não criar reserva para períodos de menor movimento. A inadimplência e os prazos de pagamento das operadoras de saúde também podem pressionar o caixa.
Para Catarina, contar com uma empresa especializada na gestão do negócio pode ser uma alternativa especialmente importante para profissionais que não têm tempo ou formação administrativa. “A gestão exige acompanhamento permanente das finanças, dos tributos, dos contratos, dos processos e dos indicadores. Quando esse trabalho fica sob a responsabilidade de uma equipe especializada, o profissional de saúde pode se concentrar naquilo que faz melhor: cuidar do paciente”, afirma.
A consultora em gestão de saúde ressalta que melhorar o resultado nem sempre significa aumentar o número de atendimentos. Revisar contratos, reduzir desperdícios, corrigir a precificação e organizar os processos pode produzir efeitos relevantes. “Uma gestão saudável dá segurança para investir na qualidade do atendimento, cumprir as obrigações do negócio e construir uma clínica sustentável no longo prazo”, conclui.