Estudo indica que Ozempic e Mounjaro podem reduzir em até 50% o risco de morte por câncer de intestino
- edufribeiro07
- 12 de nov. de 2025
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Um novo estudo científico publicado no JAMA Oncology revelou que medicamentos injetáveis à base de agonistas do receptor GLP-1 como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida) podem estar associados a uma redução de mais de 50% no risco de morte por câncer colorretal. A descoberta amplia o potencial terapêutico dessas drogas, já amplamente utilizadas no controle do diabetes tipo 2 e na perda de peso, e aponta para possíveis efeitos protetores contra uma das formas de câncer mais letais do mundo.
A pesquisa analisou dados de mais de 1,2 milhão de pacientes com diabetes tipo 2 acompanhados por até 15 anos. Os resultados mostraram que aqueles que usaram medicamentos baseados em GLP-1 apresentaram menor incidência de câncer de intestino e uma taxa de mortalidade substancialmente inferior à de pacientes que não utilizaram essas substâncias. Segundo os autores, os efeitos metabólicos e anti-inflamatórios dos medicamentos podem desempenhar um papel importante na inibição do desenvolvimento de tumores intestinais.
Os pesquisadores explicam que o uso contínuo de agonistas de GLP-1 melhora a sensibilidade à insulina, reduz inflamações sistêmicas e promove perda de gordura visceral fatores intimamente ligados à menor progressão de cânceres relacionados ao metabolismo. Além disso, esses medicamentos parecem interferir em vias hormonais associadas à proliferação celular anormal no intestino grosso.
O estudo, que utilizou bases de dados de saúde dos Estados Unidos, reforça a necessidade de investigações adicionais para confirmar a relação de causalidade. Apesar dos resultados promissores, os cientistas alertam que o uso de Ozempic e Mounjaro deve continuar restrito às indicações médicas aprovadas, como diabetes e obesidade, até que novas evidências consolidem seu papel preventivo em oncologia.
Nos últimos anos, o câncer colorretal tem se tornado uma preocupação crescente entre adultos mais jovens, com aumento significativo de casos em pessoas abaixo dos 50 anos. A possibilidade de que medicamentos já existentes possam ajudar na prevenção representa uma nova fronteira para a medicina preventiva. Especialistas destacam que, se confirmada, essa descoberta pode revolucionar abordagens de risco metabólico e tratamento oncológico precoce.
Além do impacto clínico, o estudo reacende o debate sobre o uso ampliado dos chamados “medicamentos metabólicos inteligentes”. A integração entre endocrinologia e oncologia pode abrir caminho para terapias combinadas que atuem não apenas na perda de peso, mas também na redução de riscos de doenças graves, reforçando a importância do acompanhamento médico multidisciplinar e do uso responsável dessas substâncias.





