Especialista explica os principais sintomas, mitos e avanços no tratamento da perimenopausa
- Gabriele Galvão
- 28 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

A perimenopausa é uma etapa natural da vida da mulher que antecede a menopausa e pode começar por volta dos 40 anos, mesmo quando os exames estão normais e os ciclos menstruais permanecem regulares. Sintomas como ansiedade, insônia, irritabilidade e alterações de libido costumam aparecer muito antes da última menstruação, mas frequentemente são tratados de forma equivocada ou isolada.
A especialista em ginecologia e obstetrícia com foco na saúde da mulher 40+, Ana Maria Passos, esclarece desde o diagnóstico clínico até os avanços na reposição hormonal e os impactos na vida profissional, emocional e social. "Perimenopausa não é menopausa. A fase pode começar de 8 a 14 anos antes do fim dos ciclos menstruais. Mesmo com exames normais e menstruação regular, os sintomas já aparecem, dificultando o diagnóstico. Na perimenopausa inicial, os exames costumam vir normais, e por isso o diagnóstico muitas vezes não é feito”, explica, contando que, a fase se divide em inicial, com ciclos regulares, e tardia, quando eles começam a espaçar até cessarem por completo.
Ela alerta que os sintomas físicos e emocionais surgem muito antes. Alterações no ciclo menstrual, como atrasos, fluxo intenso ou espaçamento, são comuns. A TPM pode se intensificar, com dor nas mamas e dor de cabeça. No aspecto emocional, ansiedade, irritabilidade, insônia e desânimo são frequentes. “A mulher começa a perder motivação e energia, o que pode ser confundido com depressão ou estresse”, alerta a especialista ainda que, o reconhecimento evita tratamentos equivocados. Sem identificar a perimenopausa, muitas mulheres acabam tratando os sintomas de forma inadequada. “Se a mulher não reconhece que está na perimenopausa, ela perde tempo e acaba tratando os sintomas de forma inadequada”, afirma Ana Maria Passos.
Segundo ela, a ansiedade e insônia são comuns e frequentemente tratadas com medicamentos que não resolvem o problema e a a falta de diagnóstico pode comprometer produtividade e gerar prejuízos financeiros. Sintomas como cansaço, insônia e dificuldade de concentração afetam o desempenho. “A névoa mental e a falta de foco fazem com que muitas mulheres não consigam executar suas tarefas com a mesma eficiência”, explica. O impacto é maior em cargos de liderança ou em quem empreende e a alimentação anti-inflamatória, atividade física regular e suplementação são pilares no cuidado. “Esses suplementos ajudam na resolução dos sintomas e complementam o tratamento hormonal quando necessário”, reforça a especialista. Vitamina D, complexo B, ômega 3, coenzima Q10 e creatina são alguns exemplos que contribuem para o bem-estar.
O diagnóstico é clínico e exige especialista. Exames complementares como perfil glicêmico, lipídico e marcadores inflamatórios ajudam a avaliar a saúde geral, mas o diagnóstico é clínico. “Sem essa expertise, muitas mulheres são encaminhadas para psiquiatras, quando o problema é hormonal”, alerta Ana Maria Passos, revelando que, os sintomas podem afetar desempenho, mas há tratamento. A perimenopausa pode comprometer concentração, memória e fluência verbal. “Funções antes simples passam a ser desafiadoras, gerando insegurança”, explica. Com tratamento adequado, esses sintomas são reversíveis e a mulher pode recuperar seu desempenho.
As novas terapias ampliam segurança e acesso e os avanços na medicina trouxeram hormônios bioidênticos, idênticos aos produzidos pelo corpo, que não oferecem os riscos dos sintéticos usados no passado. “Hoje, podemos repor estradiol, progesterona e testosterona com segurança”, explica a especialista. A via transdérmica, em forma de gel ou adesivo, ampliou as opções, especialmente para mulheres com tendência à trombose. A perimenopausa é uma fase que pode durar anos e impactar diretamente a vida pessoal, profissional e social das mulheres. Reconhecer os sinais e buscar acompanhamento especializado são passos fundamentais para garantir qualidade de vida.





