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Economistas apontam incertezas fiscal e política como barreiras à queda dos juros no Brasil


Especialistas do mercado financeiro e ex-dirigentes do Banco Central afirmam que a combinação de incerteza fiscal e instabilidade política vem impedindo uma redução mais acelerada nas taxas de juros no Brasil. Apesar de expectativas de queda gradual da inflação em 2025, o ambiente econômico segue contaminado por dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e reformas estruturais. Em análise recente, o Brasil aparece em segundo lugar no ranking mundial de juros reais, atrás apenas da Turquia. Esse posicionamento cria um cenário pesado para investimentos que dependem de custo de capital mais baixo.


De acordo com economistas consultados pela mídia, o desempenho da dívida pública estimada para alcançar até 83% do PIB no próximo ano gera pressão constante sobre prêmios de risco e confiança dos agentes. O fato de 96% dos gastos do governo serem compulsórios limita a margem de manobra para ajustes orçamentários. Nesse contexto, o Banco Central enfrenta a necessidade de manter taxas elevadas para segurar expectativas de inflação e conter pressões cambiais. Além disso, a instabilidade política agrava a situação, levando investidores a exigirem retornos maiores para compensar risco extra.


“Vivemos um momento onde o juro alto é necessário como segurança ante o desconhecido. Até que as reformas avancem, será difícil pensar em cortes expressivos”, comentou um dos economistas ouvidos. A prudência, segundo esse raciocínio, decorre da falta de credibilidade em ajustes fiscais e da possibilidade de surpresas negativas no Executivo ou no Legislativo. Uma mudança abrupta no cenário político pode desencadear aumento de taxas e conturbar projeções.


Em meio a esse panorama, a estratégia de atuação do governo e do Banco Central passa por sinalizações constantes de responsabilidade fiscal e medidas de austeridade gradual. Reflexos sobre a moeda, crédito e dívida dependem da consistência dessas ações. Operadores do mercado aguardam discursos e guias, mas ressaltam que o ambiente exige mais do que retórica: exige entregas. Um desequilíbrio pode minar boa parte de expectativas rastreadas via relatórios e previsões.


Caso haja avanço em reformas, como tributária e gasto público, o Brasil poderá retomar trajetória de juros mais baixos com mais segurança. Mas até lá, a combinação de juro alto, risco fiscal e ruídos políticos formam um ambiente no qual operadores ficam cautelosos. A economia brasileira opera com essa angústia até que existam sinais claros de estabilidade e reformas tangíveis.


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