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Dor nas costas lidera afastamentos do trabalho no Brasil

há 9 horas
3 min de leitura
Imagem: Freepik / Banco de imagem.
Imagem: Freepik / Banco de imagem.

Pelo terceiro ano consecutivo, a dor nas costas liderou o ranking das causas de afastamento do trabalho no Brasil. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Previdência Social em janeiro de 2026, 237.113 trabalhadores formais receberam o benefício por incapacidade temporária em razão de dorsalgia em 2025, superando os 205.142 casos registrados em 2024.


O número integra um cenário ainda mais preocupante: mais de 4,12 milhões de brasileiros precisaram se afastar de suas funções por motivos de saúde em 2025, o maior volume desde 2021, representando um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. Logo atrás das dores nas costas, as lesões e desgastes dos discos intervertebrais, como a hérnia de disco, somaram 208.727 registros de afastamento.


Para o médico anestesiologista e especialista em dor crônica Dr. Marco Delazzo, os números refletem um problema estrutural que vai além do ambiente de trabalho. "O que esses dados mostram é a ponta do iceberg. Para cada trabalhador que chegou ao ponto do afastamento, existem dezenas que convivem com dor crônica todos os dias, produzindo abaixo do seu potencial, tomando remédio por conta própria e adiando um tratamento que poderia resolver o problema de verdade", afirma.


O especialista chama atenção para um padrão recorrente entre os pacientes que chegam ao seu consultório: o tempo entre o início dos sintomas e a busca por tratamento especializado é longo demais. "A maioria dos pacientes que atendo já convive com a dor há um, dois, três anos. Nesse tempo, o sistema nervoso se adapta à dor, ela se cronifica e o tratamento fica mais complexo. O que seria resolvido com bloqueios e um plano terapêutico bem direcionado vira um caso de difícil manejo", explica Dr. Marco Delazzo.


Uma pesquisa recente mostrou que 68% dos trabalhadores relataram dor física frequentemente devido ao trabalho, e que 51% não recebem nenhuma forma de suporte ou benefício dos empregadores para lidar com desconfortos e dores habituais. Para o médico, esse dado revela uma lacuna importante entre o sofrimento real e o acesso ao cuidado. "A dor do trabalhador é invisível para a empresa até virar afastamento. Mas ela estava lá muito antes, drenando energia, concentração e produtividade. Quando o trabalhador finalmente para, a situação já está avançada."


Os dados do Ministério da Previdência Social revelam que, entre as mulheres, as dores na coluna foram a causa mais frequente de licença em 2025, com 121.586 casos registrados. Dr. Marco Delazzo aponta que esse número tem relação direta com a sobrecarga física e emocional que recai sobre a população feminina. "Mulheres que acumulam trabalho formal, cuidado da casa e dos filhos estão expostas a uma carga postural e emocional que favorece o desenvolvimento de dor crônica. E muitas vezes não são levadas a sério quando relatam essa dor. Chegam ao consultório depois de anos ouvindo que é estresse, que é frescura, que os exames estão normais."


O médico é enfático ao afirmar que a maioria dos casos que levam ao afastamento prolongado poderiam ter sido tratados com abordagens menos invasivas se diagnosticados a tempo. "Bloqueios analgésicos, infiltrações e tratamentos intervencionistas podem promover alívio real da dor e devolver a capacidade funcional ao paciente sem a necessidade de cirurgia ou uso contínuo de medicamentos. O problema não é falta de solução. É falta de acesso ao especialista certo no momento certo", afirma Dr. Marco Delazzo. "A dor crônica não é fatalidade. É um problema de saúde com tratamento eficaz. O que precisamos é que o paciente chegue ao especialista antes de chegar ao INSS", conclui.


 
 
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