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Como identificar o câncer de ovário sem exames de rastreamento padronizados

  • 14 de mai.
  • 2 min de leitura
Saúde da mulher consulta. Foto: Freepik.
Saúde da mulher consulta. Foto: Freepik.

Com uma taxa de mortalidade próxima a 70%, o câncer de ovário é o tumor ginecológico mais letal e de difícil diagnóstico. Segundo o INCA, o Brasil deve registrar 8.020 novos casos em 2026, sendo 570 deles na Bahia. A doença ocupa o terceiro lugar em incidência no aparelho reprodutivo feminino — superada apenas pelos cânceres de colo de útero e endométrio. A campanha de conscientização sobre o tema ocorre anualmente em maio.


Diferente de outras neoplasias, o câncer de ovário carece de um protocolo de rastreamento populacional. Segundo a oncologista Daniela Barros, da Oncoclínicas, a ausência de um programa preventivo específico torna indispensável o acompanhamento ginecológico regular e o estado de alerta aos primeiros sinais da doença.


A natureza silenciosa da doença em seu estágio inicial complica o diagnóstico precoce. De acordo com a oncologista Luciana Landeiro, da Oncoclínicas, a ausência de sintomas claros faz com que a identificação ocorra, muitas vezes, apenas quando há metástase, o que compromete as chances de cura. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) reforçam esse cenário crítico: atualmente, apenas duas em cada dez mulheres recebem o diagnóstico precocemente.


Ainda assim, alguns sinais inespecíficos podem aparecer e merecem atenção: perda de apetite, aumento do volume abdominal, dor abdominal ou pélvica, irregularidade menstrual, cansaço, alterações intestinais e vontade frequente de urinar. “Esses sintomas precisam ser investigados tão logo sejam notados. Eles costumam ficar mais intensos com o crescimento do tumor”, explica o oncologista Daniel Brito, da Oncoclínicas.


Quando a doença é identificada em fase inicial, o tratamento tende a ser menos agressivo.  “A detecção em estágio inicial com doença localizada, permite, em muitos casos, adotar estratégias terapêuticas menos intensiva, com menor comprometimento da qualidade de vida do paciente. No entanto, essa apresentação permanece incomum, em razão da evolução clínica frequentemente discreta e pouco específica da doença.”, afirma a oncologista Camila Chiodi, da Oncoclínicas.


Além do fator genético hereditário, outras condições aumentam o risco: idade acima de 50 anos, nuliparidade (mulheres que nunca tiveram filhos) e obesidade. A amamentação, por outro lado, tem efeito protetor, assim como a gestação. “Mulheres que nunca amamentaram, que tiveram menarca (primeira menstruação) precoce ou menopausa tardia podem apresentar risco aumentado para a doença”, afirma a oncologista Hamanda Nery, da Oncoclínicas.


O componente genético merece atenção especial. Casos de câncer de ovário na família, ou de câncer de mama em idade jovem, em parentes de primeiro grau — mãe, irmãs ou filhas — podem indicar risco aumentado. Algumas alterações genéticas hereditárias, como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, elevam o risco de mais de um tipo de tumor. “Nesses casos, recomenda-se um aconselhamento genético para que medidas de prevenção sejam avaliadas pela paciente juntamente com a equipe médica”, finaliza Luciana Landeiro.


 
 
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