Casos de câncer colorretal crescem entre jovens e reforçam alerta para diagnóstico precoce
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O câncer colorretal, tradicionalmente associado ao envelhecimento, tem atingido um número crescente de adultos jovens. Um estudo do A.C. Camargo Cancer Center revelou aumento consistente da incidência da doença em brasileiros com menos de 50 anos, reforçando uma tendência observada em diversos países. O tema ganha ainda mais destaque um ano após a morte da cantora Preta Gil, vítima de câncer colorretal, cuja trajetória contribuiu para ampliar o debate sobre prevenção e diagnóstico precoce.
O levantamento analisou 5.559 casos diagnosticados entre 2000 e 2023 e identificou crescimento médio anual de 7,6% entre pacientes com menos de 50 anos. Na faixa de 30 a 39 anos, o aumento chegou a 8,5% ao ano, indicando uma mudança importante no perfil epidemiológico da doença. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no triênio 2026-2028, tornando esse o segundo tipo de câncer mais incidente no país, excluindo os tumores de pele não melanoma.
Estilo de vida pode explicar aumento - Embora as causas ainda sejam investigadas, especialistas apontam fatores como obesidade, sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, consumo excessivo de carnes processadas, álcool, tabagismo e alterações na microbiota intestinal como possíveis responsáveis pelo aumento dos casos, além da predisposição genética.
Para a oncologista especialista em tumores gastrointestinais do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), Anelisa Coutinho, é preciso abandonar a ideia de que a doença acomete apenas idosos. "Estamos observando pacientes cada vez mais jovens, muitas vezes com diagnóstico tardio, porque o câncer não era sequer considerado uma possibilidade. É fundamental valorizar sintomas persistentes, independentemente da idade". A especialista, que coordena o Núcleo de Oncologia do HMDS, ressalta que, embora o histórico familiar seja um fator de risco importante, muitos pacientes jovens não apresentam casos semelhantes na família.
Sintomas exigem atenção - Sangramento nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso sem causa aparente e anemia estão entre os principais sinais de alerta e devem ser investigados. Segundo o coloproctologista e cirurgião robótico do Hospital Mater Dei Salvador, Ramon Mendes, o diagnóstico precoce continua sendo a principal estratégia para aumentar as chances de cura. "Sangramento nas fezes nunca deve ser considerado normal. Quanto mais cedo identificamos o câncer, maiores são as chances de um tratamento menos agressivo e de cura", afirma Ramon Mendes.
Diagnóstico e tratamento - A colonoscopia é o principal exame para rastreamento e diagnóstico, permitindo inclusive a retirada de pólipos antes que evoluam para um tumor. Após a confirmação do diagnóstico por colonoscopia e biópsia, exames de imagem são utilizados para avaliar a extensão da doença e definir o estágio do tumor, etapa fundamental para o planejamento do tratamento.
Nos casos iniciais, a cirurgia costuma ser o tratamento de escolha e pode ser curativa. Em situações mais avançadas, a abordagem pode incluir quimioterapia, radioterapia — especialmente nos tumores do reto —, terapias-alvo e imunoterapia em casos selecionados. O acompanhamento por uma equipe multidisciplinar é considerado essencial para definir a estratégia mais adequada e aumentar as chances de sucesso terapêutico.
Segundo Ramon Mendes, "quando a cirurgia é indicada, podem ser utilizadas técnicas minimamente invasivas, como a cirurgia robótica, que pode proporcionar menos dor, recuperação mais rápida e menor tempo de internação em pacientes selecionados. O mais importante, no entanto, é que o tratamento seja individualizado e definido de acordo com o estágio da doença".


