Caso de Claudia Raia revela sintoma pouco conhecido da menopausa que pode evoluir para dor crônica
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A atriz Claudia Raia, de 59 anos, revelou recentemente Menopausa Sem Tabu: Novas Narrativas Sobre Corpo e Saúde", no Iguatemi Talks, que conviveu por quase dois anos com dores intensas pelo corpo antes de descobrir que os sintomas estavam relacionados à menopausa. O diagnóstico foi de síndrome musculoesquelética, condição ainda pouco conhecida que afeta músculos, articulações, tendões e ligamentos em decorrência da queda dos níveis de estrogênio.
O relato ampliou o debate sobre a relação entre a menopausa e o surgimento ou agravamento de dores persistentes, muitas vezes confundidas com doenças reumatológicas ou até com fibromialgia. Segundo estimativas do Instituto brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 30 milhões de brasileiras vivem atualmente o climatério ou a menopausa, o que corresponde a quase 8% da população feminina do país.
Embora as ondas de calor e os suores noturnos sejam os sintomas mais conhecidos, a revisão científica Menopausal arthralgia: Fact or fiction?, publicada na revista Maturitas, periódico oficial da European Menopause and Andropause Society (EMAS), aponta que mais da metade das mulheres apresenta artralgia (termo médico para dor nas articulações) durante a transição menopausal. Segundo médicos, a redução dos níveis de estrogênio está diretamente associada ao aumento dessas queixas musculoesqueléticas, que podem envolver dor, rigidez e limitação dos movimentos.
Segundo o ortopedista e especialista em dor Dr. Lúcio Gusmão, fundador da Rede CADE, a síndrome musculoesquelética da menopausa não corresponde a uma doença isolada, mas a um conjunto de manifestações clínicas relacionadas às alterações hormonais desse período. Ele aponta que o estrogênio participa da manutenção do colágeno, do tecido conjuntivo e dos mecanismos naturais de reparo de músculos, tendões e cartilagens, além de exercer ação anti-inflamatória. “Com sua queda dos níveis do hormônio, aumenta-se a predisposição a dores articulares, rigidez muscular, tendinopatias e inflamações, que comprometem a qualidade de vida. Os músculos, tendões e articulações também possuem receptores para o estrogênio, por isso, há uma perda da capacidade de proteção desses tecidos, o que aumenta a sensibilidade à dor. Muitas mulheres acreditam que esse desconforto faz parte do envelhecimento, quando, na verdade, existe uma causa fisiológica que pode ser identificada e tratada”, explica.
O profissional aponta que a artralgia da menopausa costuma atingir joelhos, ombros, mãos e cotovelos. O quadro pode evoluir para dor crônica quando permanece sem tratamento por meses. “Com a melhora da qualidade de vida em nível nacional, a mulher brasileira vive, em média, um terço da vida no período pós-menopausa. Em muitos casos, a paciente recebe medicamentos fortíssimos para fibromialgia ou outras doenças reumatológicas sem que a verdadeira causa seja investigada. Quanto mais cedo essa relação com a menopausa for reconhecida, maiores são as chances de controlar a dor e preservar a funcionalidade”, afirma Dr. Lúcio.
Além da avaliação médica, fatores como sedentarismo, excesso de peso e perda de massa muscular podem intensificar o quadro doloroso. A abordagem de tratamento costuma envolver exercícios físicos, fortalecimento muscular, controle do peso, tratamento da dor e, quando indicado pelo ginecologista, terapia hormonal.