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Babá Pecê é homenageado por seis décadas de iniciação no Candomblé

  • há 1 dia
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Foto: André Lopes Souza.
Foto: André Lopes Souza.

Neste domingo, o aniversário de Babá Pecê, Sivanilton Encarnação da Mata será marcado por uma homenagem que reconhece uma trajetória de fé, liderança e compromisso com a preservação das tradições religiosas afro-brasileiras.


Iniciados para o Orixá Oxumarê prepararam uma carta aberta em homenagem ao sacerdote, que celebra 60 anos de iniciação no Candomblé e possui sua história profundamente ligada à Casa de Oxumarê, em Salvador, instituição que alcança 190 anos de existência. A homenagem apresenta Babá Pecê não apenas a partir de sua trajetória sacerdotal, mas como guardião de uma tradição que atravessa gerações e mantém viva uma das importantes Casas religiosas do Candomblé brasileiro.


“Hoje, não celebramos apenas uma data. Celebramos uma vida consagrada ao sagrado”, afirma a carta, que relaciona os 60 anos de iniciação de Babá Pecê à história da própria Casa de Oxumarê e ao compromisso de preservar sua ancestralidade para as próximas gerações.


O documento destaca a Casa de Oxumarê como espaço de fé, memória, formação, resistência e continuidade do povo negro no Brasil. Apresentada como um “arquivo vivo da presença africana no Brasil”, no qual religião, história, conhecimento e pertencimento permanecem conectados, a instituição representa uma parte da preservação da memória e do patrimônio religioso afro-brasileiro de enfrentamento ao racismo religioso.


Tradição como responsabilidade - Um dos principais aspectos ressaltados pela homenagem é a capacidade de Babá Pecê de preservar os fundamentos religiosos ao mesmo tempo em que conduz a instituição diante das transformações da sociedade. A carta define essa responsabilidade a partir de uma concepção de tradição que não significa imobilidade, mas continuidade: “Tradição não é passado parado. Tradição é movimento com raiz. É permanência com responsabilidade”.


A trajetória de Babá Pecê é também relacionada simbolicamente a Oxumarê, Orixá associado ao movimento, aos ciclos, à continuidade e à transformação. Assim como o arco-íris estabelece uma ligação entre diferentes dimensões, a homenagem identifica no sacerdote uma figura de conexão entre os ancestrais, as atuais gerações do povo de axé e aquelas que ainda chegarão.


Ao reconhecer Babá Pecê como Babalorixá, educador, conselheiro, mediador, articulador e guardião de uma coletividade, o documento reivindica a importância social das lideranças das religiões de matriz africana no Brasil e na luta anti racista de defesa da liberdade religiosa, do enfrentamento ao racismo religioso e da proteção de comunidades que encontram nos terreiros espaços de pertencimento, formação e continuidade cultural levando em conta que os terreiros são reconhecidos não apenas como espaços religiosos, mas como instituições negras fundamentais para a preservação da memória, dos conhecimentos, das relações comunitárias e da presença africana na formação da sociedade brasileira.


Ao celebrar seis décadas de iniciação, a homenagem percorre simbolicamente diferentes dimensões da trajetória de Babá Pecê: a criança iniciada que se tornou sacerdote, o homem que recebeu uma herança religiosa e assumiu a responsabilidade de preservá-la e o líder responsável por conduzir novas gerações. “Celebrar seus 60 anos de iniciação é celebrar o filho que honrou sua ancestralidade e o homem negro que fez da fé uma forma de serviço”, registra o documento. A homenagem é assinada por Luciane Reis, colunista deste veículo e demais iniciados para o Orixá Oxumarê.


 
 
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