Artigo: Dina Rachid em: Os bastidores que ninguém te conta
- edufribeiro07
- 14 de jan.
- 2 min de leitura

Comunicação nunca foi apenas sobre falar bem. Comunicação é poder. E sempre foi. Quem domina a própria voz ocupa espaço, influencia decisões e sustenta presença. Quem não domina, muitas vezes obedece, mesmo achando que escolhe. Isso acontece todos os dias em ambientes de liderança, política, justiça, empresas e relações pessoais.
O que quase ninguém conta é que o poder da comunicação não está nas palavras bonitas, nem no vocabulário sofisticado. Está na capacidade de sustentar o que se diz com o corpo, com a respiração e com a intenção correta. Uma voz fraca não sustenta decisão. Uma voz atropelada gera desconfiança. Uma voz sem direção vira ruído.
Nos bastidores do poder, ninguém fala o tempo todo. Mas quem ocupa posição de decisão sabe exatamente quando falar, como falar e para quem falar. E isso não nasce do improviso. Nasce de domínio interno.
Tudo começa na respiração. Quem não respira bem vive em estado de alerta permanente. Um corpo em alerta reage, não conduz. E quem reage não lidera, apenas responde às circunstâncias.
O ritmo da fala revela muito mais do que se imagina. Pessoas inseguras correm, aceleram, atropelam ideias. Pessoas seguras controlam o tempo da própria voz. Elas não têm pressa de convencer. Sabem que presença cria autoridade.
A articulação não é vaidade, nem estética. É respeito. Quando alguém precisa pedir desculpa por não ser entendido, já perdeu parte da sua força comunicacional. Clareza não é luxo, é estratégia.
A conexão acontece quando voz, corpo e gesto caminham juntos. Não existe discurso forte sustentado por um corpo ausente. A voz entrega exatamente o nível de alinhamento interno de quem fala.
A harmonia surge quando emoção e voz se encontram no mesmo lugar. Sem exageros, sem teatro, sem artificialidade. A verdade é percebida antes mesmo da palavra ser compreendida racionalmente.
A intenção não é simplesmente o que se quer dizer. Intenção é o efeito que se deseja provocar no outro. Toda comunicação eficiente nasce de uma pergunta silenciosa: o que eu quero que essa pessoa faça, sinta ou decida depois que me ouvir?
Por fim, a direção da voz define o alcance da mensagem. Falar para todos é não falar para ninguém. Voz com direção sabe exatamente quem precisa ser alcançado, em que momento e com qual propósito. Comunicação poderosa não cria personagens. Não ensina máscaras. Não fabrica performances. Ela revela posicionamento, clareza e autoridade interna. Por isso, quando alguém aprende a usar a própria voz com consciência, algo muda além da fala. A postura muda. As decisões mudam. A forma como essa pessoa é percebida também muda.
Voz não é performance. Voz é território. E quem entende isso deixa de falar à toa e passa a se posicionar no mundo com mais consciência, força e verdade.
Por Dina Rachid





