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Alimentação de crianças com deficiência exige cuidado individualizado

há 1 hora
2 min de leitura
Foto: Magnific.
Foto: Magnific.

A alimentação tem papel fundamental no crescimento e desenvolvimento infantil, mas pode se tornar um desafio para crianças com deficiência. Dificuldades sensoriais, seletividade alimentar, alterações na mastigação e na deglutição podem interferir na variedade e na quantidade de alimentos consumidos e, consequentemente, na ingestão de nutrientes. Para a fisioterapeuta e fundadora da Clínica Espaço Kids, Jamaica Araújo, esse cuidado precisa considerar as particularidades de cada criança.


“Cada criança apresenta necessidades diferentes, e o acompanhamento precisa considerar essas particularidades. Quando identificamos as dificuldades envolvidas na alimentação e reunimos os profissionais necessários, conseguimos desenvolver estratégias que favoreçam uma alimentação adequada e segura, além de contribuir para o crescimento, o desenvolvimento e a autonomia da criança”, destaca Jamaica.


Uma revisão de literatura realizada em 2022 pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) apontou que a prevalência de seletividade e outras dificuldades alimentares pode chegar a 89% entre crianças com TEA. Textura, cor, cheiro, temperatura e até a forma de apresentação dos alimentos podem determinar a aceitação ou a recusa.


“A seletividade alimentar é muito frequente no TEA e envolve fatores sensoriais, orgânicos e comportamentais. Por isso, exige uma avaliação individualizada e atenção especializada. A família não precisa enfrentar esse desafio sozinha, e o acompanhamento multidisciplinar é fundamental”, explica o nutricionista da clínica Espaço Kids, Roberto Meireles.


Nas crianças com paralisia cerebral, os desafios podem estar relacionados principalmente às alterações motoras. O ato de comer exige a coordenação de diferentes grupos musculares, especialmente os envolvidos na movimentação facial, mastigação e deglutição. Como a paralisia cerebral pode comprometer o controle dos movimentos e da musculatura, essas funções também podem ser afetadas.


De acordo com Roberto Meireles, as dificuldades podem tornar as refeições mais demoradas e cansativas e, em alguns casos, dificultar que a criança consuma a quantidade necessária de calorias, proteínas, vitaminas, minerais e líquidos. “Em crianças com síndrome de Down, alterações relacionadas à mastigação, deglutição, tônus muscular e coordenação também podem interferir na alimentação e precisam ser avaliadas individualmente”, afirma.


Apesar dos desafios, algumas estratégias que podem ajudar as famílias no dia a dia; Criar uma rotina: estabelecer horários e locais definidos para as refeições e reduzir distrações, como o uso de telas, pode trazer mais previsibilidade e segurança para a criança. Introduzir alimentos aos poucos: novos alimentos podem ser apresentados separadamente, sem obrigar a criança a experimentar.


Envolver a criança: atividades simples, como guardar as compras, lavar ingredientes ou participar do preparo, ampliam o contato com os alimentos e podem ajudar a reduzir a resistência ao longo do tempo. “O cuidado precisa olhar para a criança como um todo. A alimentação está relacionada não apenas à nutrição, mas também ao desenvolvimento, à autonomia e à qualidade de vida. Por isso, quanto mais cedo as dificuldades forem identificadas, maiores são as possibilidades de trabalhar estratégias adequadas para cada caso”, finaliza Jamaica Araújo.

 
 
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