200 anos da Fotografia Mundial é celebrado no Panorama da Fotografia da Bahia
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No dia 19 de agosto é celebrado o Dia Mundial da Fotografia, completando 200 anos neste mês de 2026. O legado fotográfico é celebrado pela exposição Ecologia de sentidos - Panorama da 3ª geração da Fotografia da Bahia, que valoriza essa técnica e expressão artística como modo de conexão entre as pessoas e suas histórias.
O projeto do Panorama, que está aberto para visitação no Centro Cultural Solar Ferrão, é o único do Nordeste, em sua categoria, premiado com a Bolsa Funarte de Artes Visuais Marcantonio Vilaça 2023. A mostra está em itinerância pelo Nordeste desde setembro de 2024, percorrendo as cidades de Olinda, Natal, São Luís, João Pessoa e Aracaju, promovendo oficinas gratuitas, visitas guiadas e bate-papos com o público, tendo como última parada a cidade de Salvador, onde permanece até novembro deste ano.
No dia 01 de agosto (sábado), o Panorama proporcionou ao público um encontro com as (os) fotógrafas (os) e uma visita guiada com o curador Marcelo Reis. Ao longo dos quatro meses de estadia em Salvador, o projeto vai promover ainda oficinas gratuitas ministradas por artistas participantes da mostra.
O Panorama, que conta ainda com a participação de Bené Fonteles como crítico e apresentador, é resultado da pesquisa realizada por Marcelo Reis, coordenador do Instituto Casa da Photographia, a respeito da nova geração da fotografia baiana, que surge, mais especificamente, a partir do século XXI, nos anos 2000, sendo denominada como a 3ª geração.
O projeto tem como homenageado o fotógrafo Akira Cravo (in memoriam), cuja obra, além de compor a exposição, vai ser discutida em um encontro com o público no final da temporada em Salvador. O homenageado é neto do escultor Mário Cravo Júnior e filho do também fotógrafo Mário Cravo Neto, exercendo, esse último, influência na 3ª geração da fotografia baiana.
A exposição do Panorama reúne 100 imagens de 25 artistas que revelam em seus registros fortes influências decoloniais, de resistência contra as violências de gênero e de raça, em diálogo com as temáticas do Corpo, da Memória e do Sagrado. Sob a guiança de que “Todo Corpo é água, toda água é Memória, tudo que é memória é Sagrado”, a mostra é organizada então em três núcleos temáticos:
Corpo - conta com as obras de Akira Cravo (in memoriam), Alex Oliveira, Ananda Nunes, Edgar Azevedo, Emanoel Saravá, Isabel Ramos, Lucas Moreira e Renan Benedito. Memória - reúne as fotografias de Adalton Silva, Adriano Machado, Cristina Cenciarelli, Juh Almeida, Ivã Coelho, Paulo Coqueiro e Raimundo Cavalhier e Shai Andrade. Sagrado - constituído pelos registros de Andrea Fiamenghi, Arthur Seabra, Elis Tuxá, Ismael Silva, Gilucci Augusto, Hugo Martins, Leila Chandani, Tacun Lecy e Vinicius Xavier.
Conforme o crítico Bené Fonteles, “através do Panorama, a gente pode ver que tudo aquilo que foi plantado nos anos 40, especialmente com a chegada de Pierre Verger [à Bahia], floresceu, ficou muito forte”, declarou. O artista visual disse que “é impressionante como eles [fotógrafos (as) da 3ª geração] discutem essa questão do corpo e da liberdade que esse corpo tem para se expressar”, referindo-se a como o trabalho da geração atual da fotografia é “um corpo poético visceral que busca inspiração nas ancestralidades”, afirmou.


